Património de Lisboa


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Biblioteca Nacional: viagem ao interior da catedral dos livros


A sua fundação remonta há mais de 200 anos mas a Biblioteca Nacional de Portugal só foi instalada no atual edifício em 1969. Além da preservação do património bibliográfico nacional, promove a sua divulgação, prestando um elevado serviço à cultura portuguesa.

Biblioteca Nacional de Portugal


Do jardim para o convento


Localizado no Bairro Alto, em Lisboa, o Convento de São Pedro de Alcântara reabriu as portas em Novembro de 2014.

Convento de São Pedro de Alcântara

Sempre que há eventos que me permitem ver algum património de acesso restrito é difícil deixá-los escapar. Já conhecia o Convento de São Pedro de Alcântara de um ciclo de concertos mas quando soube que ia reabrir, agendei logo uma visita. Após obras de requalificação, a Santa Casa da Misericórdia abriu a todos a possibilidade de visita livre à igreja e capela dos Lencastres ou guiada (2,5€) a outras dependências. Como sou interessada nestas matérias optei pela segunda. Afinal, porque haveria de vir com “a missa a metade”?
Na génese do Convento terá estado uma promessa que D. António Luís Menezes, 1º Marquês de Marialva, fez a São Pedro de Alcântara durante a Guerra da Restauração. A primeira pedra foi colocada em 1680.

Igrejas da Baixa de Lisboa


São necessários os dedos de duas mãos para contar as igrejas na Baixa de Lisboa. Foi com o objetivo de as conhecer que percorri uma das zonas mais cosmopolitas da capital.

Como a descer todos os santos ajudam, iniciei o meu roteiro na Igreja de São Roque, um dos ex-libris do testemunho jesuíta em Portugal. É imperdível a capela de S. João Batista, construída à imagem da antiga patriarcal e decorada com colunas em lápis lazúli, mármore de Carrara e mosaicos. A sacristia é um pequeno tesouro pictórico, toda revestida com pinturas com cenas da vida de S. Francisco Xavier, da Paixão de Cristo e da vida de Santo Inácio de Loyola.

Capela de S. João Batista; Igreja de São Roque

Igreja e Museu de São Roque


De fachada sóbria mas interior opulento, a igreja de São Roque é um dos ex-libris do testemunho jesuíta em Portugal.

Não sei ao certo quantas vezes já a visitei mas a cada vez que regresso à igreja de São Roque o espanto repete-se. Sobre a antiga ermida construída para receber a relíquia de São Roque, a Companhia de Jesus ergueu a Igreja e Casa Professa dos Jesuítas. Ainda que o início da sua construção seja na segunda metade do século XVI, a decoração foi sendo gradual, estendendo-se até ao século XIX. Apesar de ter resistido quase intacta ao terramoto de 1755, foram necessárias obras de beneficiação.

Igreja de São Roque

Das oito capelas laterais, a de S. João Batista destaca-se. Construída à imagem da antiga patriarcal, está decorada com colunas em lápis lazúli, mármore de Carrara, mosaicos e a representação da esfera armilar. As pinturas do altar-mor vão sendo trocadas consoante o calendário litúrgico. Dois altares das relíquias ladeiam a capela-mor. O teto é da autoria de Francisco Venegas e de Amaro do Vale  e é o único teto maneirista pintado que sobreviveu ao terramoto. Grande parte da iluminação natural provém do conjunto de janelões na parte superior, intercalados com pinturas da autoria de Domingos da Cunha, que retratam episódios da vida de Santo Inácio de Loyola. O órgão de tubos, construído no século XVIII, foi transferido para esta igreja em 1844.

Igreja de São Roque

A sacristia é um pequeno tesouro pictórico, toda revestida com pinturas com cenas da vida de S. Francisco Xavier (como as viagens à Índia, Japão e China), a Paixão de Cristo e da vida de Santo Inácio de Loyola. O teto está decorado com símbolos marianos, como a lua, o sol e a estrela da manhã. Ao centro, IHS é a abreviatura para "Jesus Salvador dos Homens".

Sacristia da Igreja de São Roque

No espaço contíguo à igreja fica o Museu de São Roque cuja visita é obrigatória. A coleção encontra-se em dois pisos, organizada em cinco núcleos: Ermida de São Roque, Companhia de Jesus, Arte Oriental, Tesouro da Capela de São João Batista e Misericórdia de Lisboa.
O relicário de São João de Brito, oferecido por D. Pedro II à Companhia de Jesus é uma peça de grande minúcia e beleza e o quadro “Casamento de Santo Aleixo”, de Garcia Fernandes, durante séculos considerado como a representação do casamento de D. Manuel I com D. Leonor são duas obras de que gostei.
No entanto, o núcleo do tesouro da capela de São João Baptista  é o mais opulento e absolutamente imperdível. Neste conjunto de peças, encomendado por D. João V aos arquitetos italianos Luigi Vanvitelli e Nicola Salvi, destacam-se a paramentaria, o frontão de altar e os dois tocheiros que são peças únicas.

Museu de São Roque

Até ao início do século XX, a extração da lotaria era feita numa das salas do museu. Quando as bolas saiam das grandes tômbolas, ia-se à janela e anunciava-se os números. Cá fora, formava-se um grupo de pessoas que esperava ouvir a sua sorte mudar. No Largo Trindade Coelho a estátua do cauteleiro perpetua essa memória.

Igreja e Museu de São Roque
Largo Trindade Coelho
1200-470 Lisboa

Antigo Colégio dos Meninos Órfãos: um tesouro por descobrir


Construído no século XIII por ordem de D. Brites, mãe de D. Dinis, o Antigo Colégio dos Meninos Órfãos, na Mouraria,  apresenta um dos mais importantes conjuntos de painéis de azulejos com representações do Antigo e Novo Testamento.

Colégio dos Meninos Órfãos; Azulejos Portugueses; Bairro da Mouraria

Só os mais atentos que passam junto ao nº 64 da Rua da Mouraria, mesmo atrás do Centro Comercial, é que reparam no portal manuelino. Apesar de relativamente discreto, é de realçar as colunas com os capitéis invertidos. Mas é quando se atravessa a porta que está do lado esquerdo, que a surpresa acontece.

Palácio Fronteira: o campo na cidade


Em Benfica, bem perto do Monsanto, entramos no Palácio Fronteira para ouvir histórias de coragem e bravura que remontam à restauração da independência de Portugal.


Nem é preciso entrar para saber que este é um palácio diferente. Enquanto aguardo pela hora de abertura, observo quem irá fazer parte do meu grupo: de 8 pessoas, apenas 2 portugueses. Os restantes são alemães, franceses e uma ucraniana. O mais curioso é que, não estando propriamente no centro da cidade e os transportes não serem muitos, todos chegaram cá, sem excursões nem autocarros.

Azulejos do Palácio dos Marqueses de Minas


Construído na 2ª metade do século XVII, na então Vila Nova de Andrade, o Palácio dos Marqueses de Minas alberga algum do património histórico e artístico da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.



Quem passa entre o nº 199-211 da Rua da Rosa, em pleno Bairro Alto, não olhará para este edifício. Apesar da cor ocre, a fachada é sóbria e discreta. Construído de acordo com as rígidas regras decretadas por D. Manuel I, a verdade é que sofreu alterações ao longo dos séculos, com aumentos e descaracterizações.


Foi residência dos Marqueses de Minas, Recolhimento de Órfãs de Militares, Pensionato da Rua da Rosa, 1º Centro Social e atualmente é um lar da SCML. No entanto, no seu interior, existem painéis de azulejos de grande valor, recuperados entre 1993-1997.


Passando o portal do século XVII, entramos numa pequena sala, que dá acesso à escadaria, com representações de nobres, acompanhadas pelos seus animais.


Escadaria; Palácio dos Marqueses de Minas; Azulejos Portugueses


Palácio dos Condes da Calheta


Mandado construir no séc. XVII por D. João Gonçalves da Câmara, 4º conde da Calheta, era um dos ex-libris dos palácios lisboetas. Serviu de residência de veraneio, alojou membros da corte e aqui se realizaram algumas sessões do conhecido processo dos Távoras. Alberga, atualmente, o Centro de Documentação e Informação do Instituto de Investigação Científica Tropical.


Quem chega ao nº 15 da Rua General João de Almeida não fica indiferente ao grande edifício cor de tijolo, sóbrio, que em nada lembra os tradicionais palácios. Entramos no átrio, amplo e muito fresco. Era isso que o seu construtor, D. João Gonçalves da Câmara, 4º conde da Calheta, procurava: uma residência de veraneio, normalmente ocupada entre Junho e Outubro, que fosse um espaço agradável de lazer e recreio.

Fonte Monumental da Alameda


Projetada pelo arquiteto Carlos Rebelo de Andrade, a Fonte Monumental da Alameda Dom Afonso Henriques está agora aberta ao público e pode ser visitada todos os sábados.

Fonte Monumental da Alameda; Fonte Luminosa
Inaugurada a 30 de Maio de 1948 para comemorar a entrada das águas do vale do Tejo em Lisboa, esta obra de arte arquitectónica é geralmente conhecida por Fonte Luminosa. Está aberta ao público desde o dia 13 de Abril e pelo número de pessoas que aguardam, arriscamos dizer que está a ser um sucesso. Enquanto esperamos pela hora da abertura, observamos o exterior: a água cai para o lago por três descarregadores em forma de taça, sob os quais se encontram treze nereidas, cada uma com um vaso. É necessário olhar com atenção, porque dada a força da água, facilmente passam despercebidas. Dentro do lago, um tritão a cavalo ao centro, com duas tágides de cada lado. Nos extremos ficam os torreões. Os baixo-relevos neles existentes são da autoria de Jorge Barradas e originalmente eram policromados, o que será o próximo passo na requalificação desta fonte. Subindo a escadaria, acedemos ao terraço, com uma vista sublime sobre toda a alameda, culminando no edifício do Instituto Superior Técnico. Segundo nos disseram no local, a ideia é fazer aqui uma esplanada.

Fonte Monumental da Alameda; Fonte Luminosa

Às 15h a água é desligada e entramos no torreão sul. Nesta primeira galeria fica o quadro elétrico original (agora desativado) e a bomba de água  que ainda está em funcionamento. Nas restantes galerias e corredor estão alguns transformadores elétricos originais, um quadro com ferramenta e uma bomba de água da estatuária ainda em funcionamento.

Interior da Fonte Monumental da Alameda; Fonte Luminosa

A visita faz-se em cerca de 10 minutos. Tal como nós, há várias pessoas desiludidas por não haver um acompanhamento e explicação do funcionamento do espaço. Ficou apenas por assistir ao espetáculo das luzes, que acontece diariamente, 15 minutos após o crepúsculo.

A Fonte Monumental da Alameda pode ser visitada gratuitamente, todos os Sábados, entre as 15h00 e as 17h00. Os jogos de água ocorrem diariamente, entre as 12h00 e as 15h00 e das 18h00 às 23h00.

Palácio Beau Séjour


No nº 368 da Estrada de Benfica fica o Palácio Beau Séjour com o seu exótico jardim romântico, onde atualmente se encontra instalado o Gabinete de Estudos Olisiponenses.

Palácio Beau Séjour; Gabinete de Estudos Olisiponenses; Palácios de Lisboa;

Quando se atravessa  o portão em ferro forjado, se não fossem os autocarros, apenas se ouviriam os passarinhos. Estamos num ambiente bucólico e neste exótico jardim romântico há muito a descobrir: o banco-chapéu; a ilha no lago, com pontes levadiças, onde os patos nadam e vêm ao nosso encontro; as campânulas, que apesar de não serem as originais, recordam o outrora nome de Quinta das Campainhas; a fonte; o repuxo e o pavilhão com a cúpula neo-árabe.

Jardim do Palácio Beau Séjour; Jardim Romântico; Quinta das Campainhas; Gabinete de Estudos Olisiponenses

Foi em meados do século XIX que se iniciou a construção da casa de veraneio da Viscondessa da Regaleira, mais tarde adquirida pelo Barão da Glória. Após a sua morte, os herdeiros investiram na decoração do interior, chamando alguns dos melhores artistas nacionais e do Grupo do Leão: o entalhador Leandro Braga; os pintores Francisco Vilaça, Columbano e Maria Augusta Bordalo Pinheiro e o ceramista Rafael Bordalo Pinheiro. Da fachada deste palacete romântico oitocentista destaca-se o revestimento a azulejos e os dois torreões, cada um com a sua bow-window. Entrando no palácio, à nossa esquerda, ficam 3 salas onde se começa a vislumbrar os tesouros aqui presentes: a Galeria de Pintura; o Salão Dourado e a Sala de Música. A primeira, decorada ao estilo neo-clássico, apresenta pinturas de musas das artes e no teto uma claraboia com a inovação de um candeeiro a gás.

Galeria de Pintura; Palácio Beau Séjour; estilo neo-clássico; candeeiro a gás; Gabinete de Estudos Olisiponenses

O teto do Salão Dourado representa o Carnaval de Veneza, onde Columbano retrata a sua irmã na figura feminina da esquerda.

Salão Dourado; Carnaval de Veneza; Columbano Bordalo Pinheiro; Maria Augusta Bordalo Pinheiro; Gabinete de Estudos Olisiponenses

Na Sala de Música prevalecem os motivos associados aos instrumentos musicais e figuras mitológicas.

Sala de Música; Palácio Beau Séjour; Gabinete de Estudos Olisiponenses

No vestíbulo fica a fonte-lavatório, da autoria de Rafael Bordalo Pinheiro, bem ao estilo naturalista.

Fonte-lavatório; Rafael Bordalo Pinheiro; estilo naturalista; Palácio Beau Séjour; Gabinete de Estudos Olisiponenses

Na Sala de Jantar participaram os três irmãos Bordalo: sanca de frutos pintada por Columbano; candeeiro e azulejos de Rafael e painéis no teto de Maria Augusta.
As restantes salas do palácio estão ocupadas com os serviços do Gabinete de Estudos Olisiponenses: a sala de cartografia, no antigo Jardim de Inverno; os gabinetes com os seus magníficos tetos no primeiro andar e o depósito que funciona na cave, onde está também o cofre forte, já do tempo do  Barão da Glória. Aqui está reunido um considerável acerco arquivístico, bibliográfico e cartográfico sobre a história de Lisboa.

Para visita guiada ao Palácio Beau Séjour basta ligar para o 217 701 100. As visitas são gratuitas.