É das maiores galerias de arte urbana da Europa, fica no concelho de Loures e anda nas bocas do mundo. As pinturas da Quinta do Mocho convidam a quebrar estigmas e preconceitos.
É quase uma da tarde. Nem à sombra se consegue escapar ao calor do sol que não dá tréguas. NADA parece não o sentir. Continua a pintar, traço após traço, numa das duas obras que neste momento se encontram em execução.
A Quinta do Mocho é conhecida pelas piores razões mas este projeto de requalificação urbana através da arte trouxe novas oportunidades aos moradores. O senhor Osvaldo, de sorriso rasgado, conta como é cá morar:
– No bairro não nasceram pessoas com sapatos. Antes nem um táxi entrava. Vivo aqui mas nunca devo esquecer as minhas raízes.
São várias as comunidades mas a angolana predomina. Apesar de ser a segunda visita organizada ao bairro, ainda há rostos que espreitam desconfiados pelas janelas e quando sentem um cruzar de olhos, afastam-se. Um dos guias e morador explica algumas das razões:
– As pessoas tinham vergonha de dizer que moram na Quinta do Mocho. Quando iam a entrevistas de emprego diziam morar noutro local próximo. Este projeto ajudou a sentirem o bairro como delas, a serem mais afáveis e acolhedoras.